• Carla Sales

Quimioterapia

Atualizado: 14 de Out de 2019


Quando o seu animalzinho é diagnosticado com algum câncer, a primeira opção para o tratamento costuma ser a cirurgia. No entanto, depois da intervenção, a quimioterapia pode ser indicada para evitar a recorrência ou para atrasar possíveis metástases. Em outros casos, a quimioterapia é empregada antes da cirurgia para reduzir o tamanho (citoredução) do tumor ou, para tumores que são inoperáveis ou em casos de metástases, é prescrita como medida paliativa.


Os medicamentos utilizados para a quimioterapia têm atuação principal sobre as células que se encontram em divisão. Como o câncer consiste em um crescimento celular descontrolado, a quimioterapia vai atacar e eliminar células tumorais. A questão da quimio é que o ataque não é seletivo, ou seja, esses fármacos vão agir sobre o tumor, mas também sobre as células saudáveis, especialmente as do intestino e da medula óssea, pois são as que mais se dividem.


Em geral, a quimioterapia em cães e gatos é prescrita na dose máxima tolerada (DMT) e o seu efeito dependerá da dose administrada. As sessões costumam ser estabelecidas de maneira regular, a cada 1-3 semanas, em função da recuperação dos tecidos. Nós, oncologistas veterinários, seguimos doses padronizadas que foram estudadas para serem bem toleradas pela maioria dos animais. Na maior parte dos casos, recomenda-se uma combinação de medicamentos, o que apresenta mais efetividade, chamada de poliquiomiterapia. Desta forma, o tratamento com quimioterapia se adapta às características de cada tipo de câncer e de cada paciente.


Ela tem efeitos colaterais?


Os efeitos colaterais são divididos em leves, moderados ou intensos. Como a quimioterapia pode afetar as células saudáveis, especialmente aquelas localizadas no intestino e na medula óssea, os efeitos colaterais "intensos" costumam estar relacionados a essas áreas. Desse modo, pode haver transtornos gastrointestinais, como falta de apetite, vômitos, diarreia; e, de medula óssea, como diminuição do número de leucócitos, podendo deixar o animal mais prostrado e apresentar estados febris, além de anemia em casos crônicos de tratamento.

Mas não se assuste!


Menos de 10% dos animais tratados podem ter estes efeitos colaterais. E, falando dos felinos, essa porcentagem cai ainda mais, o que nos deixa muito otimistas em iniciar um tratamento quimioterápico nos animais. Sempre afirmo aos tutores que não é minha filosofia insistir em tratamentos agressivos se o seu animalzinho não está indo bem nas sessões. Qualidade de vida sempre em primeiro lugar! Essa deveria ser a filosofia de todo oncologista veterinário!


E o procedimento?


A quimioterapia é administrada por via oral ou intravenosa (dentro do vaso sanguíneo). Todos os animais devem estar canulados, com o sorinho baixando na veia, e por ali é onde faço a aplicação do quimioterápico. A aplicação leva em torno de 5 a 20 minutos, dependendo do fármaco utilizado. Depois, é importante que ele receba mais soro, a fim de limparmos o vaso sanguíneo e mantermos um equilíbrio saudável no corpo, bem como diminuirmos os efeitos colaterais nos dias seguintes.


Eu utilizo, em todos os pacientes, no dia da quimio e em muitos deles também nos dias seguintes, medicamentos para náuseas junto ao soro. O animal não precisa estar em jejum no dia da aplicação, mas também é importante que ele não esteja superalimentado. Terminando, eles voltam para casa no mesmo dia e a vida segue normal. Muitos tutores perguntam se precisam se ausentar do trabalho no dia da quimio. Eu digo que, apesar de ser uma opção pessoal de cada tutor, não há necessidade desta medida preventiva porque os animais toleram muito bem o tratamento e a rotina segue sem intercorrências na maior parte dos casos.


Como sempre ressalto, o mais importante é passar por uma consulta com o médico veterinário oncologista. Ele saberá exatamente o que fazer!

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