• Carla Sales

Eletroquimioterapia

Atualizado: 15 de Out de 2019

A eletroquimioterapia, bastante utilizada para tratamentos em cães e gatos, nada mais é do que a combinação de duas técnicas diferentes: a quimioterapia e a eletroporação. De modo didático, pode-se dizer que a eletroporação ocorre quando uma célula é submetida a um campo elétrico específico, potencializando a ação das drogas quimioterápicas.


Como funciona?


De início, faz-se a aplicação da quimioterapia no paciente, por via intratumoral ou intravenosa, de acordo com o tipo de tumor, tamanho e local, o que é definido por meio de consultas e exames. Em seguida, procede-se à eletroporação (também conhecida como eletropermeabilização). Nesta etapa, ocorre o aumento da permeabilidade na membrana da célula e, consequentemente, uma maior entrada do agente antineoplásico (quimioterápico) utilizado para o tratamento, que atacará as unidades tumorais presentes. Com esse aumento da permeabilidade, os agentes ficam mais disponíveis para o combate da neoplasia, sendo menos metabolizados e ficando por mais tempo no local de ação.


Durante todo o procedimento, o pet deve estar em plano anestésico adequado, pois, apesar de ser um procedimento rápido, ele é considerado de dor moderada a intensa.

Os cuidados de pós-operatório são definidos pelo oncologista, bem como o acompanhamento (retornos), já que a técnica leva um tempo para iniciar a atuação.


A eletroquimioterapia pode ser utilizada em conjunto com outras técnicas para o tratamento de neoplasias. As técnicas mais comuns são:


Monoterapia: uso exclusivo de eletroquimioterapia;

Politerapia: eletroquimioterapia, criocirurgia, cirurgia oncológica, quimioterapia, radioterapia, enfim, tudo personalizado de acordo com o caso.


A escolha dos tratamentos sempre dependerá da avaliação do médico veterinário oncologista.


Os efeitos colaterais aparecem, em geral, como inflamação, dor no local, formação de crosta superficial e ulcerações em tumores maiores. Mas todos eles tendem a desaparecer e, por isso, reforço a necessidade do acompanhamento desses pacientes em pós-operatório.


Por que utilizar a eletroquimioterapia e quais as suas vantagens?


Basicamente, na minha rotina, eu utilizo a eletroquimioterapia para o tratamento de todos os tumores sólidos, dentre os quais aparecem, com mais frequência:


Carcinomas de pele, focinho, pálpebras e de bexiga

Adenocarcinomas

Sarcomas de tecidos moles

Melanomas: oral, cutâneos e de junções mucocutâneas.

Mastocitomas

Plasmocitomas

Tumor venéreo transmissível (TVT)

Papiloma Vírus


Dentre as vantagens, posso citar a rapidez do processo, com pouco tempo de anestesia geral; pouco estresse; limitação dos efeitos dos agentes neoplásicos ao local do tumor, mantendo a maior parte das células sadias preservadas; dose de uso do quimioterápico reduzida, causando menos efeitos hepáticos, cardíacos e renais.


A eletroquimioterapia é uma grande aliada no tratamento do câncer, mas sempre deve ser aplicada por um médico oncologista veterinário. É ele quem terá o conhecimento necessário para avaliar se a técnica é adequada ou não.


Se você tiver alguma dúvida ou quiser saber mais, deixe o seu comentário aqui embaixo.

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